enquanto houver memória eu sempre me lembrarei.
- sempre?
sempre!
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
sábado, 7 de setembro de 2013
te chamo cedo, te jogo luz. ligo o rádio e deixo entrar o dia pra te acordar. te pinto as unhas dos pés, acaricio teu sexo e o meu. converso contigo da cozinha onde pico a carne e encho tua comida de ideias que penso, de cores de toalhas, de brilho das tardes refletindo pelas cortinas. a comida cheira bem. teu corpo cheira bem. teu cheiro me atrai.
é certo que temos família. (não somos filhos de chocadeiras!) temos esses abomináveis médicos (essa gente que fala conosco como se falasse consigo mesmo e quando ouve finge não ouvir.) temos um razoável ganha-pão. sobretudo temos um ao outro. nos encontramos e nos reconhecemos para além das palavras que estão nos livros que lemos juntos.
domingo, 1 de setembro de 2013
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
eu não sei em que momento exatamente da vida deixamos de ver o mundo e registrar as coisas com olhos infantis. sei sim que algo nos aconteceu. e que eu precisei entrar no emaranhado dos meus sentimentos, procurar um fio com o qual eu pudesse iniciar o desfazer de nós e construir uma lembrança boa e honesta de um homem tocado pela loucura. o primeiro homem que amei.
'você é a cara do seu pai'
ter a cara dele fez de mim um pequeno incômodo que manteve viva em casa a lembrança que todos queriam esquecer. mas não poderiam já que a menina tinha os olhos do louco.
ter a cara dele fez de mim um pequeno incômodo que manteve viva em casa a lembrança que todos queriam esquecer. mas não poderiam já que a menina tinha os olhos do louco.
loucura. não acredito que existe um padrão de normalidade para o comportamento humano. a convivência social é uma caixa. a caixa dele era pequena demais, ele cresceu pra fora dela, desfez-se dela, rasgou, chutou, queimou, mandou pra puta que pariu.
eu esperei este dia passar, eu falei sobre ele enquanto dirigia pela estrada e me permiti derramar uma lágrima porque sempre será a minha melhor e mais triste lembrança olhando pra mim todos os dias quando encaro os espelhos.
não me deixou heranças. a mim restou a confusão, o fatalismo e estes olhos que olham de dentro de mim mas não para fora, não para muito longe.
eu esperei este dia passar, eu falei sobre ele enquanto dirigia pela estrada e me permiti derramar uma lágrima porque sempre será a minha melhor e mais triste lembrança olhando pra mim todos os dias quando encaro os espelhos.
não me deixou heranças. a mim restou a confusão, o fatalismo e estes olhos que olham de dentro de mim mas não para fora, não para muito longe.
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