sexta-feira, 27 de setembro de 2013

enquanto houver memória eu sempre me lembrarei.

- sempre?

sempre!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

há de ser tão lindo quanto a gente não sonhou...

sábado, 7 de setembro de 2013

te chamo cedo, te jogo luz. ligo o rádio e deixo entrar o dia pra te acordar. te pinto as unhas dos pés, acaricio teu sexo e o meu. converso contigo da cozinha onde pico a carne e encho tua comida de ideias que penso, de cores de toalhas, de brilho das tardes refletindo pelas cortinas. a comida cheira bem. teu corpo cheira bem. teu cheiro me atrai.

é certo que temos família. (não somos filhos de chocadeiras!) temos esses abomináveis médicos (essa gente que fala conosco como se falasse consigo mesmo e quando ouve finge não ouvir.) temos um razoável ganha-pão. sobretudo temos um ao outro. nos encontramos e nos reconhecemos para além das palavras que estão nos livros que lemos juntos.
pelo colchão eu sinto um calor que vem de você.

domingo, 1 de setembro de 2013

semente

a paciência é uma planta.

sinto um amor de árvore. crescente e de raízes fortes. 

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

coração de eterno flerte

adoro ver-te

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

eu não sei em que momento exatamente da vida deixamos de ver o mundo e registrar as coisas com olhos infantis. sei sim que algo nos aconteceu. e que eu precisei entrar no emaranhado dos meus sentimentos, procurar um fio com o qual eu pudesse iniciar o desfazer de nós e construir uma lembrança boa e honesta de um homem tocado pela loucura. o primeiro homem que amei. 

'você é a cara do seu pai'

ter a cara dele fez de mim um pequeno incômodo que manteve viva em casa a lembrança que todos queriam esquecer. mas não poderiam já que a menina tinha os olhos do louco. 

loucura. não acredito que existe um padrão de normalidade para o comportamento humano. a convivência social é uma caixa. a caixa dele era pequena demais, ele cresceu pra fora dela, desfez-se dela, rasgou, chutou, queimou, mandou pra puta que pariu.

eu esperei este dia passar, eu falei sobre ele enquanto dirigia pela estrada e me permiti derramar uma lágrima porque sempre será a minha melhor e mais triste lembrança olhando pra mim todos os dias quando encaro os espelhos.

não me deixou heranças. a mim restou a confusão, o fatalismo e estes olhos que olham de dentro de mim mas não para fora, não para muito longe.