sexta-feira, 15 de outubro de 2010

quatorze

passou um vento breve, viraram-se muitas páginas. eu saí da nossa toca, coloquei a cara na rua. por onde vou me perguntam, querem saber de você e então eu me lembro. você volta e o dia é só nosso.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

[005] dias com ele

foi como toda menina imaginou que seria: aquela hora que a gente chega e ele está lá esperando com o mais lindo dos sorrisos e o melhor de todos os abraços. é assim que deveriam ser todos os encontros. a mais curta caminhada torna-se cheia de significados simplesmente porque estamos de mãos dadas. eu queria nunca mais soltar a mão dele. queria que as mãos dele, as duas estivessem aqui para apertar as minhas.

a gente chorou e riu e os dias passaram quentes, calmos, cercados de caos e beleza, de pessoas queridas e de outras que desconhecemos.

nos amamos como duas crianças tolas e é o nosso jeito de tocar a vida. sorriu pro dia e sorriu pra mim todos os dias.

sonhei com um emprego de salvar baleias e acho que a nossa vida pede um pouquinho mais de mar.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

vinte e dois

amanhã vai virar hoje e amanhã eu te verei quando ficar de noite.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

vinte e três

muito choro, muito sono. uma viagem de ida e volta até rio claro. duas horas pra ir e mais duas pra voltar. no caminho o telefone toca, o ddd é 81. número alto pra um ddd, eu acho. fala rápido que o minuto custa caro, mas tanto a dizer... os cigarros que sempre dividimos e toda a poesia que dividir um cigarro pode conter.

e como quem nunca se esgota estive com ela. ela e suas lindas frases inspiradas em caio fernando. ela de óculos vermelho como um coração. ouvir, entender, compreender e retribuir. te lembrar me alivia, e mesmo nessas horas, em que as pessoas se mostram simples e belas, envolvidos pela alegria triste do que é uma vida. mesmo que seja uma vida dormida em quartinhos de empregada. só. a solidão e mais seis dúzias de garrafas. dentro delas gotas da casa que um dia terá. sua. é a doçura que ainda existe no mundo. eu sinto e mesmo que eu não diga, você entende.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

vinte e quatro

meu socorro hoje foi o aconchego familiar. minha mãe, minha irmã, meus sobrinhos. no carrossel, segurando a gigizinha pra não cair literalmente do cavalo, eu lembrei dos capitães da areia. 'é da hora ser criança, né?' foi o que a carlinha me disse e a gente ficou uma na outra buscando aquela nostalgia boba de irmãs que cresceram grudadas.

pensando nele. a casa, a pia suja, descer o lixo. eu cortei os cabelos, pintei minhas unhas de cor-de-rosa e finalmente encontrei e comprei um chapéu que cabe na minha cabeça grande! não sobrarão coisas por fazer até ele voltar... amanhã já é quarta! por deus, a semana voa e daqui três dias eu vou cair no seu abraço e vai ser tão bom.

ele lá longe com a tal dor nas costas. eu comprei vitaminas com cálcio para os ossos dele. usei o celular alheio e foi tão bom quando se completou a chamada e a voz dele perguntando 'gata?'

estamos sempre juntos quando passa o caminhão que recolhe o lixo. hoje ele não está, mas mesmo assim o caminhão passou. eu olhei pela janela os homens que correm atrás do caminhão, que jogam o lixo pra dentro e levam sabe-se lá pra onde. pra ilha das flores, talvez. desde menina eu sempre achei que em toda cidade existia uma ilha das flores, como a de jorge furtado, mas que na verdade nem é dele. e eu não estava de todo enganada. e olhar as pessoasme faz querer ficar perto, conversar, saber de onde vêm, o que fazem, sobre os filhos, o que comem. e eu me encho de sentimentos instintivos e coletivos pelas pessoas que não conheço.

meu mundo se amplia, o mundo é muito grande e sou eu só nesse apartamento. eu e a lembrança de quando eu te encontrar.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

vinte e cinco páginas

o lugar que ele ocupa em mim sempre foi um lugar de palavras. antes eram só letras, juntas, inúmeras, palavras soltas que eu, porcamente, fazia que se combinassem. e elas ainda estão aqui, embora mais raras, mais vagas e menos melancólicas. ele ocupou o lugar das palavras, vira e mexe ele some com elas e me deixa assim, sem palavras. porque elas gostaram de dividir seu lugar com ele e como se deram bem às vezes ele e as palavras se escondem de mim.

nunca reclamaram do lugar que ocupam na minha vida. nem ele, nem elas. às vezes brigam entre si, mas a verdade é que ele gosta das minhas palavras e elas são caprichosas em se mostrar pra ele. elas confessam, gostam e preferem ficar guardadas e saudosas porque sabem que o que existe no lugar delas é um amor. e é uma delícia confessar que quando não estou fazendo palavras estou fazendo amor.

e não por acaso, hoje eu voltei. porque ele bateu asas e partiu do meu ninho para ares mais quentes. ele voltará e novamente as palavras irão repousar no meu recreio. mas por ora, por esses vinte e cinco dias, contando os quatro em que partirei eu também pra perto dele, serão as palavras que ficarão no lugar dele. vinte e cinco saudades, vinte e cinco carinhos. meu pouco de alívio.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

silêncio e afago

ele não faz idéia do peso das minhas lembranças, mesmo assim eu o convenci! das coisas ditas ou escritas eu não sei qual delas exatamente tem sua carga de razão, tudo é no fundo um simples sentir e dizer. falar, escrever, apagar, rasgar, queimar, fumar e beber. o meu blá blá blá de sempre. mas em alguma coisa existia um certo sentido e era exatamente essa coisa que eu não sabia dizer.

há coisas que para dizer eu preciso calar. é o meu silêncio cheio de suspiros ou o desastre de te contar dores do passado enquanto estávamos na melâncolia de um fim de domingo com futebol. são as minhas lágrimas causadas por sensação de rejeição infantil ou a solidão de me sentir longe de casa que são motivos pra sentir alívio quando na sua companhia. as palavras me ajudam a dizer, mas as fotografias não tem voz e elas também falam.

o encanto a gente guarda num vidro e põe na prateleira. cada vez que olha pra ele sente tudo de novo. encanto. inquietações só tem razão de existir se não há para elas solução. meus medos, meus anseios, minha angústia não precisam de respostas. só precisam existir porque me inspiram e não me deixam esquecer que eu tenho uma história só minha, num mundo onde tudo se nivela por baixo e o que parece mais óbvio insiste em querer parecer o mais correto, eu ainda sou alguém e viver ainda faz algum sentido. eu só não sei dizer qual é.