sexta-feira, 5 de novembro de 2010

não vai passar

mesmo se o seu telefone parasse de tocar e o filho da puta que tenta insistentemente falar contigo enfim desistisse de estabelecer diálogo através do seu celular que, por fim, eu desliguei e impedi os outros de me irritarem com o toque polifônico bastante irritante, na minha opinião. foda-se. mesmo assim não passaria, porque de alguma forma eu vou e me deixo ir por caminhos perigosos. eu e as vozes preferidas.

era pra ser uma escrita sobre as peripécias do amor, mas logo na primeira linha está a expressão 'filho da puta' o que, por si só, já destrói qualquer traço de romantismo. se alguma verdade ainda salva eu só posso dizer que não gostaria de sentir. quero dizer, com toda a sinceridade que pode existir nesse meu coração imprestável, que eu queria que passasse.

sair foi a minha fuga. e não poderia existir melhor lugar para uma mulherzinha despeitada ir numa sexta-feira a noite. fui. fiquei pouco. trouxe comida pra casa.

não por acaso a música é a que me faz chorar, trilha sonora do filme que me faz chorar. obra-prima.

se há uma coisa desprovida de qualquer sentido em existir são essas palavras. porque você, onde estiver, está pensando carinhosamente em mim. certamente.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

um

e passará tão depressa que eu sei e já me sinto feliz em saber que falta apenas um punhadinho de horas e você chegará e encontrará a casa vazia.

eu chegarei depois, aflita pra te contar sobre o dia e a noite. você me ouvirá, demonstrará interesse e vai me beijar na boca cada vez que eu fizer uma pausa.

como eu te esperei. seria um tremendo exagero dizer que esperei como esperam os pingüins(verificar trema). ainda assim esperei, te imaginei e te trouxe até aqui, te desmontei, montei novamente e dormimos no mesmo embalo. uma espera quebrada em partes, mas uma saudade ainda inteira.

eu pedi que você voltasse logo pra casa. você virá quando for a hora. e a hora já está quase chegando.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

quatro

te encontrar, te olhar, te ouvir. você se surpreendeu por eu ser lembrada aí nesse lugar que não é o nosso. ela lembrou o número do quarto e sorrindo disse que sentiu minha falta. eu me senti como que em casa, você disse que eu sou muito legal e de alguma forma isso me fez sentir admirada por você.

eu fui e no caminho comecei o livro. com título e subtítulo. talvez vire um novo blog, se eu puder me dedicar a ele. escrever me consumiu por vinte minutos. então eu parei. é que aquela tristeza que me sussurra ao pé do ouvido as palavras que desfio já não estava sentada no meu ombro. ela não se importa em dar lugar a euforia de estar perto de te encontrar.

você tomou o lugar das palavras, o lugar da minha tristeza, dos meus ais. te amar ora é doce, ora amargo, meus olhos te miram com melancolia só pra ouvir o cochicho baixinho de uma palavra triste e bela, dizê-la a você e sentir seu beijo na minha testa.

o calor vem chegando. e com ele, você.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

oito

o barulho que o computador faz parece o de uma máquina de lavar roupas. só falta ele se mover pela casa. preencho o vazio com barulho mas poderia ser com música. as minhas ou as suas. talvez a do first kiss, não sei. todas as coisas espalhadas e eu só penso que daqui vinte e quatro horas vou correr para você.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

dez

sorriu sem ter achado graça em nada. apenas por não ter algo melhor para retribuir. apenas porque dentro da cabeça a disposição das palavras sempre muda e cada vez que diz a mesma coisa, diz de forma diferente. não ser entendida cansa. se explicar também. abdicar das palavras ditas. emudecer.

lembranças. quente ou frio, antigo ou recente, faz rir e chorar, vale ouro. guardar a lembrança pra além da memória. olhar, mirar, ver, enxergar, perceber, sentir.

eu poderia ser helena, macabéa, maria bonita ou sinhá vitória. mas se eu fosse, como poderia ser amada por você?

domingo, 17 de outubro de 2010

doze

- estou morrendo de saudades. vem pra cá de novo?

- você quer mesmo que eu vá?

- quero

- (emocionou)

sábado, 16 de outubro de 2010