domingo, 24 de maio de 2015

podofilia

concordamos que mal nenhum havia e nos deixamos ficar abraçados um bom tempo. era verão e o ar se movimentava tão quente quanto a respiração dele no meu ombro e eu que não queria chorar, olhei para baixo teus pés calçavam chinelos.

lembrei os desmaios, os primeiros delírios, a dúvida e a não gravidez. caí da cama, caminhei pela casa sem despertar, me recompensei e puni com intemperanças.

suportarei o peso de tentar viver assim. um ou outro reparo quiçá se fará necessário, mas nada que comprometa meus dentes bonitos.  

me olhou nos olhos, sorriu com os lábios beijáveis numa tarde morna. e só um pensamento me perturbava: meu deus, que pés horríveis.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

desde 2009

"você tá nova pra ter preguiça de aprender as coisas."




dizendo coisas que eu preciso ouvir

terça-feira, 21 de abril de 2015

é nessas horas mornas que a minha cabeça se perde de mim.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

respiração

tem dias que passa e eu mal vejo.

se passo mal, troco as letras por companhia e a gente se perde. nesses dias sempre chove.

e se chove tudo para. eu fico puta da vida mas só suspiro, já quase não me queixo. mesmo se fui de chinelos, mesmo se o rádio insiste em trocar ideia. eu só suspiro.

to de férias da escola, mas preciso estudar.

eu de carro penso que sou um doce dentro dum vidro no balcão do bar. suspirei e sorri.

segunda-feira, 23 de março de 2015

só dizer meu nome

e aquela boca fica ainda mais bonita.

quinta-feira, 19 de março de 2015

minha senha é um palavrão. algo sujo e improfanável que você mal ousa dizer, por isso nunca me revelará. que triste. desse doce azedo você precisa viver pra provar. não está claro como convêm, é uma letra morta, numa palavra triste onde escondo meu lado atormentado. 

minha escrita é clara. e isso me soou um elogio. estou confiante em te enganar com palavras, mas não sei até onde irei. toda farsa uma hora se revela. então me fingirei de louca e tudo se acertará com meio litro de lágrimas. meus papéis (tão esperados) chegarão e ninguém vai se machucar. 

vestiu o pijama do egoísmo e foi se deitar. insone, mas adormeceu sem dificuldade.

quarta-feira, 4 de março de 2015

não foi engano

atendeu o telefone com voz de sono e despertou de surpresa quando percebeu que a voz do outro lado não era a do nome registrado no visor do celular. ele pediu desculpas porque tinha dúvidas sobre a conveniência da situação. ela mal ouviu, nunca pensava a respeito de coisas como essa.

não houve como controlar o tom rouco e carregado de antipatia. não conseguiria voltar a dormir. anotou o recado com as mãos vibrantes. adjetivá-las trêmulas não definiria o formigamento que lhe subia dos dedos. um endereço, um até lá. ainda conta os minutos e já passou da hora.